terça-feira, 14 de abril de 2009

O FIM DOS LOCUTORES.

J. Pimentel, em sua coluna do site Caros Ouvintes, comentou que ao contratar um estúdio de Salvador para produzir programas de rádio, um dos donos analisou com cuidado seu projeto e falou:“Olha Pimentel. Eu não trabalho mais com locutores nem radialistas. Agora só trabalho com atores. Os textos ficam mais naturais, não tem aqueles vícios que todo radialista tem. Acho que nestes seus programas aqui vamos fazer a mesma coisa”.

Tem mais: quando o ator Dan Stulbach resolveu lançar seu programa de rádio na CBN, “Fim de Expediente”, no material de divulgação o argumento foi o mesmo: “usar uma linguagem diferente da habitual, sem os vícios dos radialistas, mais coloquial e inteligente”.

A ex-diretora da TV Globo, Marlene Matos, nos idos de 2005, criou um programa feminino de rádio, “Amigas Invisíveis”, e escolheu como apresentadoras as atrizes Luciana Fregolente e Dedina Bernardelli. Na ocasião ela fez a seguinte observação: “Escolhi as duas porque não são comunicadoras de rádio. Quero uma linguagem diferente, sem vícios”.

Será que todos os locutores são burros e tem vícios de linguagem?

Está na hora dos locutores se profissionalizarem. Percebo também isso no meu dia-a-dia quando contrato locutores para uma gravação. Falta interpretação. Quem quiser se manter no mercado tem que mudar e ser um ator da voz. Brincar, soltar, testar novas formas de falar. Esta é a tendência: fazer menos locução tradicional e atuar mais!

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