quarta-feira, 8 de julho de 2015

Dicas da Glorinha da Globo.

Glorinha Beuttenmüller é uma das maiores referências em treinamento para uma locução técnica e bem colocada. Ela foi por 18 anos a principal fonoaudióloga da TV Globo e uma das profissionais mais requisitadas do teatro brasileiro. Alguns dos alunos de Glorinha foram: Sergio Chapellin, Fernanda Montenegro, Willian Bonner, Fátima Bernardes, Sandra Annerberg, entre outros talentos da comunicação.

Além de vários exercícios para a boca, com caretas engraçadas e línguas que se locomovem em todas as direções, ela ensinava que devemos usar todo o corpo para expressar bem uma palavra e até um conceito. Se o texto tem humor, devemos rir dos pés a cabeça. Se a notícia é boa, encha de ar o seu diafragma e as células do peito para que o ouvinte sinta a energia positiva da matéria.

Glorinha não gostava da tal impostação de voz, muito utilizada até hoje. Ela abolia o uso de um piano ou de qualquer outro instrumento para que o aluno fizesse uma escala musical nos moldes de cantores e intérpretes. Ela sugeria deixar a locução mais informal.

Perceba que existem dois perfis diferentes que se destacam no rádio e na TV. O homem ou a mulher de rádio é sempre mais falante, costura as palavras com ênfases variadas e quando se expressam querem ser ouvidos como se tivessem o tempo todo com um microfone. Normalmente gostam de fones de ouvido. Já o homem ou a mulher de Televisão, até pela sugestão da própria imagem, tende a ser mais comedido, a falar sem reverber e até se deixa levar por uma locução mais intimista. A boa locução precisa estar atenta ao veículo que a posiciona. Ser frágil no rádio é saber que os seus dias estão contados como repórter, locutor noticiarista ou animador. Já o profissional de TV precisa estar atento a se expressar, pelo menos, meio tom acima do que fala normalmente, mas com naturalidade.

Artigo baseado no texto de Luiz Seabra.

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