terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Caretice no Ar.

 Texto de Luiz Alper.

As rádios FM padronizaram de tal forma o estilo de locução, que grande parte dos apresentadores se acomodaram a ele e passam seus dias só repetindo fórmulas. As rádios preferiram limitar ao máximo o tempo em que o apresentador fala, também para evitar que falem "bobagens". Assim, ao longo dos últimos 20 anos, a singularidade e criatividade de cada um foi sendo achatada, para que se encaixassem todos em um mesmo "padrão". Todos iguais nas 24 horas em que a rádio está no ar, tudo bonitinho e arrumadinho. Só falta colocar uma toalhinha de renda e um vasinho em cima. Que coisa enfadonha e sem brilho!
Sou a favor de normas e de um certo padrão, que dão a cara para a rádio e fazem o ouvinte se identificar e a reconhecer. Mas o exagero desse sistema que parece ter sido forjado no exército, onde os soldados marcham, apresentam armas, dão meia volta volver todos juntos, está longe de ser um provocador da criatividade. Sistemático demais, artístico de menos. Entretanto, também falta aos que estão no microfone mais dedicação, mais gosto pela comunicação. Não é só ter talento e voz, mas principalmente vocação. Amor pela profissão. Querer melhorar sempre. Fazer um dia melhor que o outro. Ter a preocupação de falar coisas interessantes, ou de um modo e ritmo interessantes.
Para um jovem que quer trabalhar na área, o rádio é pouco atraente, e perde feio para a TV e a internet, por um lado pelo marasmo criativo, a caretice e as poucas possibilidades profissionais, por outro, os salários modestos. Uma pena.

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