O Rádio Chega Onde o Virtual não Chega.


O Rádio Chega Onde o Virtual não Chega.

Com as escolas fechadas e o acesso digital longe de ser uma realidade para boa parte da população, o rádio está se transformando no meio mais acessível de espalhar conhecimento e estimular o aprendizado durante o período de isolamento.

De norte a sul do país, prefeituras e Estados estão colocando no ar parte do currículo escolar para que os estudantes não percam o ano letivo. Do Acre ao Rio Grande do Norte ou do Maranhão ao Rio Grande do Sul, não faltam exemplos.

A vantagem do rádio é ser gratuito e local. Usando um receptor convencional ou mesmo o celular sem plano de dados (o fone de ouvido serve de “antena” para o sinal digital de FM), o ouvinte pode ter acesso ao conteúdo.

Após o terremoto e tsunami de 2010 no Chile, o rádio foi o principal meio de comunicação. Tanto é assim que o governo de lá passou a distribuir para essas emergências aparelhos de bolso, com estrutura de papelão e carregado por energia solar. Por seu lado, países da África Ocidental adotaram rapidamente em 2020 as aulas por rádio para as crianças porque já vinham de experiência similar no surto de ébola de 2013 a 2016. No meio da atual pandemia, o papel de professor do rádio está presente fortemente na África, Ásia e América Latina.

“É interessante ver que mesmo numa sociedade hiperconectada e multiplataforma, diante das epidemias, catástrofes e grandes calamidades, o rádio é reconvocado ao protagonismo, dadas as suas características como dispositivo simples, barato, tradicional e de intensa capilaridade, chegando a lugares onde não é possível se pensar em internet”, opina Nair Prata, professora Universidade Federal de Ouro Preto (MG) e pesquisadora da história do rádio.

 

Curiosidades:

  • Um em cada quatro brasileiros está offline O número é do Cetic (Centro Regional de Estudos para Desenvolvimento da Sociedade da Informação).
  • 86% do país é impactado pelo rádio. O dado é de pesquisa do Ibope. Em comparação, 74% da população usa a internet.
  • 59% se conectam apenas pelo celular. Esse percentual sobe para 85% quando se leva em conta só as classes D e E — nas quais 70% têm planos com limite de dados.
  • Nas classes D e E, 27% estudam online. A diferença social também bate na hora de quantificar os estudos: o número vai para 60% da classe A.

Fonte: ECOA

Share this post

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *